E se de repente, alguém se lembrasse de passar esta publicidade em Portugal e em pleno horário nobre nos canais de televisão generalistas? Como iriam reagir os portugueses, esse mui nobre povo fechado numa mentalidade retrógada, tacanha e preconceituosa?
O Rendimento Social de Inserção foi criado, supostamente, com o objectivo de ajudar pessoas carenciadas. No entanto, a julgar pelo caso de uma família de Marco de Canaveses, esta parece não ser a realidade mais comum.
Em 2001, a família Almeida foi contemplada com um prémio do Totoloto no valor de 600 mil euros. De ascendência humilde, os Almeida trataram de dar asas à imaginação, adquirindo duas casas no valor de 350 mil euros, quatro carros (um Mercedes 190, um Rover, um Mazda e um Toyota Corola) e ainda uma moto 4.
Em 2005, alegando dificuldades financeiras, solicitaram ajuda à Segurança Social. Após as devidas diligências, a família passou a receber mensalmente 365 euros de rendimento mínimo.
Confrontado com a questão, o Instituto de Segurança Social alega que a família não apresenta liquidez suficiente para sobreviver em condições dignas de qualquer ser humano.
Por seu lado, a família Almeida alega que o seu vasto património já está à venda, mas a comunicação social descobriu que o referido património imobiliário está à venda pelo dobro do seu real valor económico.
Neste caso, como em tantos outros casos, a lei parece estar cega e surda para uma realidade cada vez mais crescente. O número de famílias abrangidas pelo RSI e que são detentoras de carros, casas e outros bens é cada vez maior.
Talvez seja altura do Governo rever algumas das medidas de apoio aos mais necessitados. Algumas horas diárias dedicadas ao trabalho comunitário em troca do tão desejado subsídio, levaria algumas destas pessoas a repensarem o seu modo de vida.
Afinal, os apoios estatais à pobreza, não podem nem devem ser um alto patrocínio à preguiça e ao ócio.
Enquanto o Governo se prepara para apresentar o programa governativo para os próximos 4 anos (?), têm vindo a público rumores de uma possível subida ao Parlamento, ainda este ano, do projecto-lei sobre casamento entre pessoas do mesmo sexo.
A par destas notícias, o Estado português prepara meticulosamente a visita do Papa Bento XVI a Portugal, prevista para Maio de 2010.
Perante a visita do Papa no próximo ano, terá o Governo coragem suficiente para avançar com uma medida tão polémica e que tanta contestação tem levantado nos últimos anos?
E em caso de aprovação por maioria parlamentar, terá o Presidente da República coragem para promulgar a lei, conhecendo-se de antemão a posição vincadamente desfavorável de Cavaco Silva ao casamento gay?
Supostamente, vivemos num Estado laico em que os poderes da Igreja e do Estado estão separados. No entanto, será esta a realidade dos factos?
Resta-nos apenas esperar, tentando, simultaneamente, perceber se o casamento entre pessoas do mesmo sexo, não será apenas mais uma manobra de diversão lançada pelo Governo para desviar a atenção de outros assuntos tão delicados como a situação económica do país, o desemprego ou, mais recentemente, o polémico caso "Face Oculta" que. alegadamente, envolve membros do PS.
O caso Alexandra volta de novo aos escaparates das rádios, jornais, revistas e televisões portuguesas, sobretudo, depois de notícias veiculadas pela imprensa russa que davam conta da intenção das autoridades daquele país de retirarem a menina à mãe biológica.
Luís Amado, ministro dos Negócios Estrangeiros, já veio a público oferecer ajuda da diplomacia portuguesa para trazer a menina de volta a Portugal, mas as autoridades russas já afirmaram que a criança não sai do país.
De facto, é de lamentar um ministro vir a público oferecer uma hipotética ajuda que jamais poderá dar, na medida em que a menina é russa, está na Rússia e sob alçada das autoridades russas. Não será a pressão da comunicação social portuguesa, da família afectiva ou do próprio Governo português que abalará a posição russa.
Por isso, torna-se legítimo perguntar: porquê todo este novo reboliço em torno deste caso?!
Portugal está a atravessar uma das piores crises das últimas décadas, mas nem isso impede alguns senhores de avançarem com ideias megalómanas. Depois dos sucessivos Governos terem ameaçado com o TGV e um novo aeroporto, a Federação Portuguesa de Futebol decidiu apresentar no início da última semana, uma candidatura conjunta com a vizinha Espanha à realização do mundial de futebol de 2018 ou 2022.
Num país em que, diariamente, o cidadão comum se depara com escassez de meios técnicos, humanos e logísticos em escolas, hospitais e centros de saúde, não se entende com que autoridade moral o Governo pretende canalizar meios financeiros a fundo perdido para a requalificação de cinco estádios (Alvalade, Luz, Dragão, Algarve e Braga), bem como todas as despesas inerentes à organização de um evento desportivo desta natureza.
Parafraseando Durão Barroso, "O país está de tanga"... mas só para alguns.
Ontem vivenciei algo que poderei considerar uma experiência, no mínimo, aterradora.
Durante a visita a uma exposição da ACAPO (Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal) realizei um teste que demonstra bem as enormes dificuldades com as quais se depara um invisual quando vai às compras ou, simplesmente, quando quer utilizar um produto corriqueiro.
De olhos vendados foram-me apresentadas diversas embalagens de produtos. Utilizando apenas o tacto, o objectivo passava por subdividi-los em 4 categorias: higiene pessoal, limpeza, alimentação e bebidas.
Com grande à-vontade e uma enorme autoconfiança, comecei por identificar um pacote de toalhitas de bebé. Seguidamente, identifiquei um pacote de leite, um frasco de laca, outro de desodorizante, uma embalagem de creme para o corpo, um pacote de soja, entre outras coisas.
Quando fui autorizada a abrir os olhos, verifiquei com enorme espanto que não havia acertado na identificação de um único produto. Aquilo que eu julgava ser toalhitas de bebé eram na realidade toalhetes para limpar móveis. O pacote de leite não passava de vinho, a laca um produto para limpar móveis, o desodorizante um tira-nódoas, o creme uma embalagem de tinta para sapatos e a soja um pacote de comida para periquitos.
No final da experiência acabei por ser invadida por dois sentimentos completamente dispares. Por um lado, senti-me uma idiota por considerar que basta o tacto para identificarmos facilmente o que temos nas mãos e, por outro, aterrada ao imaginar os acidentes que a execução de determinadas tarefas tão simples para os normo-visuais poderá provocar numa pessoa cega.
Na verdade, o mundo seria bem mais fácil se todos pudessem usufruir dos mesmos direitos e garantias. Uma simples inscrição em braille facilitaria a vida a muita gente que em algum momento das suas existências tiveram a infelicidade de perder um dos sentidos mais importantes do corpo humano.
Acabado de chegar às bancas, o novo livro de José Saramago promete causar muitas polémicas e aumentar ainda mais o abismo entre o escritor e a Igreja Católica.
Dezoito anos depois do "Evangelho Segundo Jesus Cristo", o Prémio Nobel da Literatura volta a dedicar a sua escrita à religião e às suas incongruências, segundo a visão ateísta do escritor.
Neste novo livro, Saramago revisita o Velho Testamento tendo como personagens principais Caim, o primogénito de Adão e Eva, deus e a Humanidade.
Polémicas à parte, o livro lançado simultaneamente em três línguas (português, castelhano e catalão) promete fazer parte do top ten das obras mais vendáveis nos próximos meses.
Depois dos portugueses terem sido bombardeados com três actos eleitorais em quatro meses, o país prepara-se, finalmente, para sair do marasmo em que mergulhou no último ano.
Enquanto José Sócrates prepara-se para anunciar o novo Governo, prevendo-se de antemão a queda de alguns ministros como M.ª Lurdes Rodrigues, Augusto Santos Silva e Mário Lino, os eternos profetas da desgraça começam a fazer as suas apostas e habituais previsões quanto à durabilidade do próximo Executivo.
Entretanto no PSD, a corrida à liderança já começou. No horizonte perfilam-se nomes como Pedro Passos Coelho e Castanheira Barros.
Nos últimos anos tem-se verificado no PSD um fenómeno deveras interessante. Usando uma metáfora pouco ortodoxa, quase poderiamos dizer que mal se deu o óbito e já os abutres rondam para ver quem fica com o melhor pedaço.
E assim vai a política em Portugal.
. FAMÍLIA MILIONÁRIA RECEBE...
. REALIDADE OU MAIS UMA MAN...
. E SE DE REPENTE FICASSE C...