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POR ESTA NINGUÉM ESPERAVA

Segunda-feira, 08.06.09

Depois de uma campanha em que os portugueses pouco ou nenhum interesse demonstraram pelas ideias (ou falta delas!) dos partidos face às eleições europeias deste domingo, a grande surpresa da noite foi mesmo a derrota do PS e a vitória de Paulo Rangel e do PSD.

 

Contra todas as expectativas, o partido liderado por Manuela Ferreira Leite conseguiu eleger 8 eurodeputados (31,68%), enquanto o PS ficou-se pelos 7 (27,58%). No campeonato dos partidos mais pequenos, o BE foi o grande vencedor ao eleger 3 deputados (10,73%), enquanto a CDU (10,66%) e CDS-PP (8,37%) não foram além dos 2 eurodeputados.

 

Como seria de esperar, a taxa de abstenção subiu ligeiramente atingindo os 63 pontos percentuais contra os 61% em 2004. Desta vez, nem houve a desculpa do bom tempo.

 

Talvez seja chegada a altura dos partido repensarem algumas estratégias políticas. O tempo dos beijinhos e abraços, das arruadas, dos cartazes, panfletos, canetas e autocolantes no período oficial de campanha eleitoral, já lá vai. Aliás, testemunho desse facto foram as arruadas que todos os eurocandidatos teimaram fazer e que acabaram, invariavelmente, por tornarem-se pequenas corridas atrás dos transeuntes como se de uma cena da savana africana se tratasse.

 

Apesar de todos termos plena consciência que mudam as caras, mudam os partidos, mas tudo continuará na mesma senda, alguém acabou por ter um laivo de sobriedade no meio de tamanha bebedeira política. Na mensagem dirigida a todos os portugueses, o Presidente da República, Cavaco Silva, sublinhou que "Não vivemos tempos de facilidades, vivemos tempos de responsabilidades", enfantizando ainda, "Que direito temos nós de nos queixar das políticas europeias, se na hora em que fomos chamados a decidir, optámos por não comparecer?!".

 

De facto, estas palavras dizem tudo. Enquanto não existir a consciência política de que a abstenção apenas favorece os chamados partidos do poder, continuaremos presos neste eterno ciclo vicioso, tal como um cachorro atrás da sua própria cauda.

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publicado por Criatura da Noite às 01:28


2 comentários

De Tiago a 12.06.2009 às 17:54

Os meus sinceros parabens por este post!
Fazes uma análise muito completa do que foram estas eleições.

Tem-se dito que o político que menos falar é o que tem mais hipoteses de ganhar, e se ainda se recordam, quando o Socrates concorreu, evitou durante toda a campanha explicações sobre uma série de matérias fundamentais, e conseguiu ganhar!

Nestas eleições, e segundo o jornal O Público, o Ps detinha uma máquina de camanha que esmagava qualquer outro partido, camioes, autocarros, pavilhoes com muita animação, muito inspirados com a campanha do Obama.
Mas desta vez, tal não foi conseguido, o povo não se deixou iludir com as canetinhas, sacos, t shirts, bonés, etc etc..
Outra coisa não seria de esperar, o desemprego está alto assim como o receio de perder o emprego, o que não alegra certamente , e começam a sentir raiva de verem os politicos apelarem ao voto, na mudança quando estão em dificuldades e já deixaram de acreditar nas promessas...
E acredito que nas legislativas, o povo não vai estar muito disposto para fanfarras politicas...

E tal como o Presidente disse, está na hora de exigir mais aos politicos!!!

De Criatura da Noite a 12.06.2009 às 19:38

Obrigada. Confesso que me dá algum gozo comentar alguns factos políticos, porque é uma área que aprecio bastante.

Na minha opinião, o erro crasso do PS e de José Sócrates foi substimarem Manuela Ferreira Leite e Paulo Rangel. De facto, não ouvi um único político, "opinion maker", comentador político, militantes do PSD e restantes forças pártidárias preverem esta situação durante a campanha eleitoral.

Se o PS não fizer uma profunda reflexão sobre os resultados das europeias, não se arrisca apenas a perder a maioria absoluta. Arrisca-se, inclusivamente, a perder as eleições.

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