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CIMEIRA UE-ÁFRICA E O JOGO DO "POLITICAMENTE CORRECTO"

Sábado, 08.12.07

Sete anos após a primeira e única Cimeira do Cairo, Egipto, os principais líderes da União Europeia (UE) e de África reúnem-se este fim-de-semana em Lisboa. Cerca de 80 países estarão representados neste encontro bilateral.

 

Desde muito cedo, esta Cimeira ficou marcada pela polémica devido há presença de alguns líderes africanos considerados personas non gratas na Europa, entre os quais se destacam Robert Mugabe (Zimbabwé), Mohamar Kadaphi (Líbia) e Omar Bashir (Sudão), acusados pela comunidade internacional de violação dos direitos humanos nos seus próprios países.

 

Gordon Brown, Pimeiro-Ministro britânico avençou que não marcaria presença nesta Cimeira, caso Lisboa insistisse no convite a Mugabe. Segundo Brown, "não me sentarei ao lado de pessoas que não respeitam os direitos humanos".

 

Curioso...Não tenho notado a ausência de Gordon Brown noutros encontros internacionais...

 

A ausência do PM britânico não se deverá única e exclusivamente ao facto de Robert Mugabe ter forçado a saída dos colonos brancos em finais dos anos 90 em detrimento dos seus concidadãos? Pois, é provável. Mas num mundo em que se vive do "politicamente correcto", este tipo de ilações não podem tornar-se públicas.

 

Curiosidades à parte...

 

Afinal, qual o objectivo desta Cimeira? Segundo alguns especialistas, estreitar as relações entre a UE e África, sobretudo, no que toca às relações político-económicas.

 

Numa altura em que a China e a Índia caminham a passos largos para se tornarem potências económicas a nível mundial, o continente negro tornou-se um ponto estratégico para a expansão destas economias. A industrialização dos países africanos, o solo rico em matérias-primas e metais preciosos e as constantes guerras ao longo dos anos, tornaram o continente negro demasiado apetecível a algumas economias mundiais.

 

Contudo, nesta corrida a UE corre o risco de ficar para trás devido à eterna autoculpabilização relativamente ao colonialismo. As últimas descolonizações efectivaram-se há mais de 30 anos. No entanto, e passados tantos anos e tantas guerras em que mergulharam a esmagadora maioria dos países africanos, os europeus continuam a subjugar-se à égide africana.

 

Todos os anos, a UE contribui com meios económicos, sociais e humanos para minorar o sofrimento do povo africano e, cumutativamente, sustentar as economias destes Estados que, por si só, poderiam auto-sustentarem-se recorrendo aos seus próprios recursos naturais.

 

Obviamente que as nações europeis tiram dividendos desta situação! Tudo isto não passa de um jogo meramente económico em que não há vencedores nem vencidos.

 

Os europeus constroem infra-estruturas e diversos equipamentos sociais e em troca os africanos permitem a exploração contínua dos seus recursos naturais. Digamos que estamos perante uma espécie de colonização pós-moderna...

 

E no meio deste jogo de interesses político-económicos, onde se encaixam os direitos humanos?

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publicado por Criatura da Noite às 18:13