CRIATURA DA NOITE
Se procura um espaço onde abundam as pseudo-análises político-sociais com um ligeiro travo de ironia e sátira política de alguém que não percebe nada disto, chegou ao sítio certo!
OS PORTUGUESES E OS FERIADOS
Numa semana em que as negociações para o resgate financeiro de Portugal se intensificaram e a troika de negociadores (FMI, BCE e Comissão Europeia) se reuniu com partidos, sindicatos, representantes patronais e demais parceiros sociais, o Governo aprovou hoje em Conselho de Ministros o despacho que determina a concessão de tolerância de ponto para a tarde de amanhã aos funcionários públicos. Assim, e a acrescentar à tarde de 5ª feira, os trabalhadores afectos ao Estado terão ainda a 6ª feira Santa, o sábado, o domingo e o feriado do 25 de Abril que, coincidência das coincidências. este ano calha na 2ª feira logo após o fim-de-semana de Páscoa.
De facto, não poderiamos escolher pior altura para demonstrarmos ao resto da Europa a nossa especial apetência por feriados, tolerâncias de ponto e afins. Segundo o jornal Público, a tarde de 5ª feira custará ao Estado cerca de 20 milhões de euros. Num país em bancarrota e à beira do resgate financeiro, urge alterar a lei e revogar definitivamente a esmagadora maioria dos feriados, sobretudo, todos aqueles de cariz religioso.
A continuarmos a agir com tanta leviandade, apenas reforçaremos a posição de países como a Finlândia que, nos últimos tempos, têm vindo a demonstrar alguma relutância em salvar Portugal do colapso financeiro.
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4 comentários
De T. a 22.04.2011 às 13:47
De Criatura da Noite a 24.04.2011 às 19:23
Em relação à tolerância de ponto, sabes que esta espculação faz todo o sentido. Eem primeiro lugar, ninguém está a pôr em causa o trabalho de todos aqueles que trabalham para manter os serviços mínimos (médicos, enfermeiros, polícias...).
Aqui, a questão é saber até que ponto temos moral para andar a mendigar - sim, porque é disso que se trata! - uns tostões ao resto da Europa, quando nós próprios transmitimos lá para fora a imagem de um povo que não quer trabalhar.
Tal como tu, acredito que haja bons funcionários públicos que em certos momentos das suas vidas profissionais tenham abdicado da tolerância de ponto para cumprir os seus deveres, mas também tens plena consciência que esses devem ser uns exemplares raros, não é?